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terça-feira, 1 de abril de 2014

Ansiedade e treino ( IV)



"Patients on hemodialysis with an internal locus of control (independent) adjust and adapt better than those with an external locus of control".  O estudo é curioso. As pessoas ( em hemodiálise)  que depositam o mata-bicho nos médicos ou em Deus  controlam menos a ansiedade relativa à evolução do seu estado de saúde. Tenho muitas dúvidas.
O ponto é este:
"In chronic illnesses, it is important to develop behavioral attempts to involve patients in substitute activities by seeking alternative rewards. This would help them in getting new sources of satisfaction, and enhance the effectiveness of dealing with various problems in personal, familial, societal, and occupational disturbances. However, such tendencies are less in those with an external locus of control which was there in patients in the present study".
Não percebo por que motivo não se há-de poder racionalizar, obter informação e treinar a ansiedade e ao mesmo tempo acreditar em Deus.  É proibido?

domingo, 30 de março de 2014

Agora sem pernas

Com duas patas da frente. É certo que os boxers têm uma patada terrível, mas, mesmo assim, o que pensas? Talvez que a medicina  tenha contrariado Darwin. Ou não. Talvez conheças muitos humanos sem pernas e que levam  uma vida excepcional.
Sim, mas o cão não sabe que podia ter quatro, portanto, para ele, isto é a felicidade: correr na relva com o dono. Já os  humanos sabem que a felicidade é coisa diferente: é o melhor  que temos, subtraído a tudo o que poderíamos  ter.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Dar a cara


Não tenho facebook, é a primeira vez que publico uma fotografa minha. Esta tem seis anos. Os olhos azuis estão mais baços, a barba está entre o louro e o grisalho. Enfim, um cão velho. É por aqui que quero pegar.
A experiência inclui a linguagem não-verbal. Aprende-se  a usar o corpo como suporte da palavra. Ao fim de tantos anos  já sei que não devo abusar do  contacto visual, já sei usar um sorriso para dizer que acredito em vez de sugerir dúvida, já sei  fazer com que as mãos desenhem apoio.
O corpo também facilita uma regra que aprendi com Kraus ( não é  psi): um novo insight deve ser exprimido de forma a que pareça acidental que os pardais no beiral  tenham deixado de cantar.

terça-feira, 25 de março de 2014

domingo, 23 de março de 2014

Do perigo


A família está em perigo, o trabalho está em perigo, a educação está em perigo, a cultura está em perigo, a democracia está em perigo  etc. Interessa-me mais a percepção  individual do perigo, ou do risco. Por exemplo:


Com que então a forma intuitiva, automática, natural?  Digamos, portanto, que temos aqui uma versão do élan vital de Bergson: uma força interior que não pode ser entendida ou articulada racionalmente, que nos atira para o vazio e para o desconhecido.
Tenho duas mulheres  em terapia que estão  a viver situações de risco. É notável como ambas  criaram um código próprio para as profecias e relatórios  clínicos, interpretando  a informação  e os factos a partir de pequenas inferências,  deduções,  atribuições; a partir  de um mundo interior.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Os passarinhos da primavera


"Con tales afectos dijo las razones pasadas Clemente, que estuvo en duda Andrés si las había dicho como enamorado o como comedido; que la infernal enfermedad celosa es tan delicada, y de tal manera, que en los átomos del sol se pega, y de los que tocan a la cosa amada se fatiga el amante y se desespera."
Este pedacinho de La gitannila, de Cervantes, é delicioso. O apaixonado é o louco, o ciumento é o possuído por uma doença infernal. Ando aqui a fazer uma pequena  série  de curtas metragens, mas desde o Amor  & Ódio assumo o interesse por taxonomias como a do grande Cervantes. 
Nesta primavera desejo às pessoas que acompanho em terapia que esperem do amor o mesmo que espero da minha açorda de poejos: que lhes  seja leve.