sexta-feira, 25 de abril de 2014
"Yo creía que mí vida era mía"
Nunca é nossa. Anquises sabia-o: não tem vida florescente o homem que se deita com deuses imortais.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
The bottom jaw
Estes dois unificam todos os pares comunicacionais. O cingalês tem de aprender a língua do inglês ( império oblige), mas o truque está na forma como se mexe o maxilar de baixo.
Ou seja, não importa tanto o que dizes, mas como o dizes.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Emorracional
A pagina tantas diz-me ele, casualmente: sabe como é, os afectos são irracionais. Ele é um homem. Um bocadinho ciclotímico, inteligente, anda pelos trinta e muitos, dedicadíssimo a actividades profissionais, pai de um filho bebé. Contradigo-o: os afectos podem ser racionais. E muito.
Esta ideia da irracionalidade das emoções há-de ser abandonada quando soubermos mais sobre o cérebro. Por enquanto aconselho vivamente este artigo.
Quando vocês tiverem um bebé nos braços, ponham-se em frente a um espelho. Depois digam-me se os afectos são irracionais...
segunda-feira, 21 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Pessa'h
Marie Bonaparte: O nosso sentido de passagem do tempo tem origem no sentido da passagem da nossa própria vida. Então, como sentir o tempo que não passámos com quem desapareceu? Bispo duas hipóteses.
1) A religiosa.
O humano religioso, como dizia Eliade, vive o mundo como não-homógeneo: parte sagrado, parte neutro. Há sempre uma perda primordial que rompe a realidade dos objectos. Assim, o tempo que não pássamos com quem morreu, pertence não à nossa própria vida mas a um arquétipo que nos ultrapassa. Somos esse tempo.
2) A mutilação
Perdemos a pessoa e perdemos o que era nosso com ela. Aceitar a mutilação, sentir esse tempo como o amputado sente o membro-fantasma.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Quasimodo
Já o trouxe muitas vezes em séries de poesia italiana ( noutras andanças de livros e blogues), hoje cedo-lhe, aqui, a palavra para nos definir a angústia:
Ognuno sta solo sul cuor della terra
traffito da un raggio di sole:
ed e subito sera.
tradução minha:
Todo o homem está sozinho no centro da terra
atingido por um raio de sol:
e de repente é noite.
Ognuno sta solo sul cuor della terra
traffito da un raggio di sole:
ed e subito sera.
tradução minha:
Todo o homem está sozinho no centro da terra
atingido por um raio de sol:
e de repente é noite.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Toynbee
Depois de Magnésia
( na figura) , as coisas correram depressa. Virados outra vez a sul,
Catão , a rábula dos figos, cerco e incêndio de Cartago, fim. O que me
interessa é a discussão sobre a tese de Toynbee: quanto tempo dura a
devastação? Dizia ele que o sul de Itália ficou árido e entregue ao latifúndio por causa dos treze anos de depredação de Aníbal. Toynbee
caiu em desgraça, a tese era arrevezada. Ou não.
Mudemos das sociedades para as pessoas. Quanto tempo dura a devastação? É possível alguém fazer escolhas, ajustar modos de vida, organizar-se, em função de um dramático episódio antigo? Foi para fugir à psicologização e ao trauma, que escolhi partir de uma tese histórico-política. É necessário mais do que um episódio, uma série: e que transforme, de facto, a vida da pessoa.
As perdas e as doenças graves encaixam bem, são aníbalescas. Os seus efeitos prolongam-se muito para além do que se possa imaginar. Quanto mais não seja porque ficamos diferentes. É, portanto, imperioso voltar a reconhecer o território. Será sempre tudo novo.
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