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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
domingo, 13 de dezembro de 2015
50 anos: Viva la muerte!
Cumpro hoje, roubando ao falangista Millan Astray a suposta* imprecação soltada em oposição ao discurso fabuloso de Unamuno em Salamanca: "Viva la muerte!"
Descansem que não sou o meu próprio assunto, nem vos maço com os detalhes de um dia que começou com a porta da garagem a cair-me em cima do carro. Apenas para puxar a brasa à sardinha aqui do DC: se estás vivo, até da morte ris.
* Foi Serrano Suñer ( já uma vez trouxe aos blogues a sua biografia) que garantiu a legitimidade da frase, mas Suñer não estava na universidade de Salamanca nesse dia. Pernán, autor do hino falangista, amenizou , dizendo que foi "morram os intelectuais traidores". Sea lo que sea.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Seguradora Love & Cª
Mulheres. Entre os vinte e os sessenta. Problema: o assumir, por parte deles, da relação ou o continuar da relação, casamento, união de facto, o que seja. Restinga: as garantias.
Apesar de já andar nesta vida - de psicoterapeuta, ou de mecânico de pessoas, como certa pessoa, generosamente, me alcunhou - há muito tempo, ainda me espanto. Elas querem um seguro, com garantias e franquias, de tipos que lhes mostram, com panache, que não estão para aí virados. Por que insistem? Ah...., sim, o amor.
A linha desenha-se com finura. Há amor, mas tem de haver solidez, compromisso, segurança. Então que diabo: se o amor é mais importante, a única coisa que conta e etc, para que raio deitam tudo a perder com as cláusulas?
Uma possível resposta encontra-se num amável logro que décenios de política feminista não conseguiram ainda neutralizar ( o Bukharin dizia serem necessárias dezenas de gerações para eliminar o conceito de propriedade privada): o amor é uma projecção.
Daí a seguradora. Quando fazemos o empréstimo para habitação, a seguradora projecta no tempo do empréstimo a nossa esperança de vida. Se temos diabetes e já somos maduros, a prestação é alta e aumenta a cada ano, se somos novos e como pouca cheta, a seguradora protege-se e não bufamos.
Pois nessa coisa do amor, as seguradoras são elas. Animem-se , portanto, as mulheres: se eles não pagarem, leia-se assumirem , adeuzinho e boa sorte. Ou conhecem seguradoras boazinhas?
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Correio sentimental
"Estamos juntos há muitos anos, ela é muito discreta, a cama é muito boa, mas um grande amigo meu disse-me que um amigo dele ( de quem ela fala, de facto) se gabou que só não come a minha mulher porque não quer. Ela é, portanto, uma cabra sonsa. Como é isto possivel? O que devo fazer?"
R: Querido, tudo é possível. Se retiramos o impossível, o que ficar, por mais inverosímil que seja, é a verdade. Assim ensinava o Conan Doyle. Calculo que o tempo faz o seu desgaste, por isso aconselho-o a aproveitar melhor o seu. Tem facebook ou uma cana de pesca?
"Ele só me quer lá em casa dia sim, dia não. Já chegámos a viver juntos, mas agora estamos nisto. Ora troca mensagens carinhosas comigo, ora está uma semana sem atender o telemóvel. Não aguento mais , não sei viver assim, só me apetece fugir, dormir sem fim".
R: A emancipação feminina libertou também os homens. Já não precisam de uma empregada em casa e o madonna-whore complex passou à História. Agora só querem whores.
Sugiro um convento. Ou o facebook.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Ao trabalho: pequena nota sobre as contradições
Caridad Mercader, comunista e mãe do assassino de Trotsky, salvou da morte imediata, em Julho de 1936, o general Goded. Local: Barcelona, no dealbar da guerra civil. O general fez depois uma declaração na rádio libertando os seus seguidores de quaisquer obrigações. Acabou por ser fuzilado pelos republicanos em Agosto. Duas contradições? Aparentemente.
As contradições ( as dissonâncias cognitivas, na lalangue técnica) são adoráveis e uma das dimensões axiais da natureza humana. Nunca viram uma leoa perseguir uma zebra, derrubá-la e depois resolver não a comer, pois não?
A contradição é capaz, por exemplo, de derrotar o instinto ou uma das suas traduções culturais , o fanatismo. Nos triangulos amorosos, quem quiser um resumo no audiovisual tem este belíssimo filme: revejo-o sempre que posso.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
20 anos de gabinete: da miséria sexual
Uma coisa é o embrulho: sexo na publicidade, no lixo-tv, nas conversas-rádio, no abastardamento do pobre Masoch ( está aqui , é gratuito) etc. Outra coisa é o que se passa. Só posso dar conta do que ouço, semana após semana, ano após ano. E é mau. Como psicólogo levo mais, mas como psicoterapeuta levo vinte anos de gabinete ( atingi anteontem a marca) e o registo da miséria sexual é estelífero. Exemplos:
Mulheres belíssimas cujos companheiros despacham na cama sem a menor consideração pela anatomia feminina, são muitas. Eles não exploram, não estudam, ( o porno vende mulheres sempre prontas, é uma estucha) não falam. Por que não lhe explica o que quer? Tenho vergonha. Talvez, mas o que impressiona nestes casos é o desperdício.
Uma operária de trinta e picos, de quem gosto muito e já conheço faz tempo, contou-me certa vez que o marido sofria de ejaculação precoce. Ela queria um orgasmo como as outras. Então e ele não se trata? Ele diz que não tem problema nenhum, por ele está satisfeito. Oh boy, se alguma vez um par de chavelhos assentou bem foi a esse cromo. Ainda consegui uma sessão de casal e o tipo, envergonhado , lá prometeu resolver a coisa. Até hoje e ela lá continua, fiel e verdadeira.
Nos casais de meia idade à moda antiga, noto uma evolução tremenda nelas. Querem mais e perderam a vergonha. Eles ainda continuam a falar em cumprir a obrigação. Notável dissonância.
Mulheres novas e solteiras, desinteressadas e desiludidas com o truca-truca. Umas porque acham que os rapazes mordernaços só as usam para isso, outras porque só o querem numa relação a sério. Em comum, o suspeito do costume: o compromisso.
Um anacronismo, exemplificado num episódio que uma amiga aqui do DC me contou um dia. Estava ela numa roda de bar, homens e mulheres, trintões, e um começou a falar picante com ela. Ela, desinibida, respondeu à letra: o tipo recolheu à base. As aulas de cozinha, a depilação e os hidrantantes masculinos ainda não conseguiram libertar os homens do jogo do lencinho.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
O excruciante problema da antecipação
" O meu mal é que antecipo muito as coisas" também é das frases no top ten do meu gabinete. Deixemos a canga da obsessão grave, da cisma anancástica : um termo que caiu em desuso, ainda tenho fichas antigas de doentes dos anos 60, feitas pelo meu pai, com essa palavra. Olhemos para a coisa nas personalidades comuns.
Antecipamos tanto as coisas boas como as más. O problema é que antecipação do bom não nos provoca angústia. Antecipar o mau , numa justa medida, pode ser bom: prepara-nos. Numa medida desmesurada imobiliza-nos. Então por que o fazemos?
Uma resposta pode estar no passado. Pessoas que já viveram situações terríveis tendem a familiarizar-se melhor com potenciais incómodos. São os realistas depressivos. O real é o produto do nosso olhar, que, inevitavelmente, não se consegue desviar. Resta-te viver.
O grande, o maior, diz isto muito melhor do que eu:
It is possible, possible, possible. It must
Be possible. It must be that in time
The real will from its crude compoundings come.
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