Vive a tua vida sem te importares com o que os outros pensam de ti.
Correndo tudo bem, nunca estarás no seu pensamento.
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depressaocolectiva@gmail.com
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segunda-feira, 2 de março de 2015
Manual de autodestruição ( 3)
Aposta tudo no teu filhinho ou filhinha. Vive através deles. Serão o que falhaste por falta de sorte e apoio. Traça-lhes o rumo.
Com sorte, herdarão a tua miséria.
Com sorte, herdarão a tua miséria.
domingo, 1 de março de 2015
Manual de autodestruição (2)
Acredita em ti e nas tuas capacidades. Podes tudo.
Não leves a sério a tua fraqueza, a tua maldade, o teu desespero. Como Górgias ilibou Helena, segue o seu conselho: louva-te.
Manual de autodestruição (1)
Tenta ser feliz, faz tudo o que desejas, vai ao limite.
Depois de arruinares todos os que estão à tua volta, o trabalho está concluído.
Depois de arruinares todos os que estão à tua volta, o trabalho está concluído.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Negativo do positivo
A praga do pensamento positivo vende como pãezinhos quentes. É natural. Depois, com a realidade em cima, as pessoas vêm pedir ajuda: as fábulas são boas para ler na cama.
Mantenho os doentes, ou os apenas perturbados, em tensão. Se estás diante de uma pistola brandida por um louco, ou diante de um búfalo cafre mal disposto, precisas tanto de pensamento positivo como de uma inspecção das finanças.
A tensão, o instinto de vida, se quiserem, é o que te permite ter a compreensão total do sarilho. Sim, a depressão, um divórcio, o luto e a neura são sarilhos. O apoio psicoterapêutico, do meu ponto de vista, deve servir para extrair o máximo das possibilidades da pessoa e para a obrigar a reconhecer o sarilho em que está metida ( por vezes é o mais difícil). E isto só se consegue conhecendo-a tão bem quanto possível ( sim, inclusive que tipo de cereais come ao pequeno-almoço) para depois a ajudar a empregar tudo quanto tem.
O pensar positivo é para os minutos finais do SportingxBenfica.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
2 a 1
Desleixei a depressão colectiva porque estes foram dias de casos difíceis, de momentos tensos nas psicoterapias ou nos acompanhamentos. As piores situações, e sou um psicoterapeuta calejado ( velho), são as de beco sem saída.
Por vezes, ainda que esquadrinhando todo o terreno e magicando todas as alternativas, não se consegue abanar o doente. A pessoa desesperada tende a deixar cair a razão e coloca-me um problema do caraças: como ajudar quem está tão lúcido?
É claro que existem graus. Uma mãe que não suporta o recém-nascido, uma que não tem a certeza se para o ano terá problemas com o IRS, um mulher sem anqueos nem horizonte etc. Em comum, a tal lucidez: já experimentaram tudo, as balas fazem sempre ricochete.
Por outro lado, são estes casos que nos põem à prova como terapeutas. As minhas armas ( falo por mim) são um longo arquivo de situações, e seus desençaces, e a confiança que vem da experiência, sobretudo a mais preciosa: a dos erros que já cometi. As malabarices psis, as teorias e o mambo-jambo não valem aqui um tostão furado.
Depois, outra subversão à ortodoxia psi. Nem empatia nem simpatia, nem distância nem flirt com as pacientes. Aliança política, um objectivo comum perseguido sem compromissos com mais nada: Nós-2, Desespero-1.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O desespero delas: por que nós adiamos?
Ouço estas queixas muitas vezes. Ontem, na clínica, ouvi-as da boca de uma mariposa (uma mulher que fez um trabalho espectacular e já não tem medo de confiar num tipo). Elas sabem. A lampada do exaustor está fundida há três dias. O caixote das tuas tralhas da mudança está ao canto há dois anos. Estás há um mês para renovar o BI do garoto.
Elas nascem com um número de óvulos pré-determinado, ovulam quase sempre no mesmo dia do mês, geram uma criança em nove meses. Elas vêm programadas para a ordem e para o controlo.
Nós produzimos num mês espermazóides suficientes para fecundar todas as mulheres da UE ( dados anteriores à entrada dos países bálticos) mas a possibilidade de fecundarmos a quota feminina do prédio é mínima. Vimos programados para lançar o caos.
Elas estão convencidas de que se não existissem, a casa era uma república de estudantes. Têm razão. Futebol total, livros e latas de cerveja por todo o lado, colecção de rolos de papel higiénico no WC . Elas não entendem arte moderna. Perguntam de que serve guardar "A Bola" do mês passado ou tubos de tinta de aeromodelismo do tempo em que os miúdo seram miúdos. É o anti-destino de Malraux, conceito alheio ao pragmatismo delas. No fundo, aturam-nos porque assim estava programado.
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