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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Elas e as rupturas
Muito mais difícil. Há nas mulheres - que acompanhei e acompanho - uma recusa suave da ruptura, que demora, às vezes, mais do que o tempo que a relação durou. Pode ser um acaso, uma coincidência no meu gabinete, mas é um acaso que se repete há vinte anos ( antes trabalhei como psicólogo, mas não fazia psicoterapia, não tinha calo suficiente). Falo de uma faixa etária em média entre os 30 e os 60. São mulheres crescidas, quase sempre com fibra, génio e coragem. O que aumenta o mistério: por que raio não os esquecem?
Na altura em que escrevo isto vejo as caras e os corpos de muitas delas. Muitas horas tensas no gabinete, esquadrinhando as frases, as culpas, os remorsos. Por vezes filhos pelo meio, técnicas sexuais, coisas de dinheiros, até violência. No final, sempre o mesmo: como é que ele me fez isto?
É impossível ter esta profissão e não ir ganhando um respeito imenso por elas. Seguram o centro, ligam a família, trabalham que nem galegas.
Talvez o problema seja , em parte, este: investem tanto neles como no resto. Um erro fatal, como Vasco de Lima Couto explica : só agradeço o que peço / e não o que mereço.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Cidadelas
Um dos piores indicadores da situação de alguém é o estado da casa. Não me refiro às paredes ou à conservação do soalho. A nossa casa é, tem de ser, o nosso refúgio. Chegar depois de um dia cansativo a uma casa onde de forma permanente nos envolvemos em gritaria virulenta ou em desprezo calculado é tentar um caminho impérvio.
Um antropólogo francês, em moda nos anos 90, Marc Augé, falava da retórica familiar: a nossa casa é onde não temos de dar justificações. Por ex, podemos andar de cuecas. Isto é um dos lados. O outro é o do reconhecimento. Quem connosco vive conhece os nossos ritmos e vice-versa. Isto proporciona, ou devia, uma harmonia razoável.
Bem sei que harmonia familiar é uma expressão que os neuróticos mal-resolvidos e mal-amados têm diabolizado desde os anos 60 a pretexto da liberdade contra a opressão familiar-burguesa. Como o resultado foi um espectacular aumento do consumo de ansiolíticos e antidepressivos, concluo que tanto a asfixiante família tradicional ( que a havia...) como o masturbação narcísica são más cidadelas.
Do que falo aqui é de uma coisa simples, inscrita numa ordem muito antiga: somamos muito mais do que somos individualmente.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
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Vão aqui votar.Por enquanto está na página 4.
Precisamos d e 50 votos para poder concorrer.
Podem ver já:https://www.youtube.com/watch?v=aOBJTXs02kE
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sábado, 15 de agosto de 2015
Quais férias?
O turismo é o passatempo de ir ver o que se tornou banal, enquanto indivíduos isolados em conjunto: as casa de férias são pseudocolectividades que acompanham o indivíduo isolado na pseudo-comunidade ( Debord). Sim, conhecem todos as teses da coisa espectacular que se auto-consome, mas eu , como sou um rapaz simples, acrescento um ponto.
Como é que alguém saudável entra em modo de férias por exigência do calendário escolar dos filhos ou da organização da empresa ou do serviço? É como se nos dissessem que no mês que vem comeremos bacalhau podre ( é uma receita e muito boa) todos os dias às 17h. Porquê? Porque sim.
Não é assim estranha a neura de férias, muitas vezes confundida nas publicações de tarot ( revista do Expresso ou do Público por ex) com o a neura do regresso ao trabalho. O problema não é voltar, é ter ido.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
Férias/interrupção
Regresso em meados de Agosto, os que não estiverem na praia serão bem acolhidos aqui.
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