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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Manual de autodestruição (59)

Por vezes sinto-me triste sem motivo. Ou porque chove ou porque faz sol. Não me limita, faço a minha vida, mas é triste. Gostava de ser alegre.

Eu gostava de ter sido diestro.  A última vez que me viram  chorar  foi há dez anos, em Palência, com um pase de rodlillas com que o El Juli recebeu o touro na saída da faena.
Uma coisa é certa: estás livre da depressão.

Depressão colectiva

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Talvez

Está pronto o que pode ser mais um livro. Não, não é o manual de autodestruição. É sobre mulheres, as que morrem que nem tordos. Se sempre houver edição dou-vos notícia.

Manual de autodestruição (58)

Como é que se conquista a  felicidade? Tantas receitas, nenhuma me serve.

O olor da sopa que estou  a fazer chega  cá acima ao meu covil. Nabos, cenoura, cebola, abóbora, azeite, um toque de alho e carqueja. Está sol, o Benfica ganhou, os meus estão vivos ( a esta hora...).
Para alguém mais  sofisticado recomendo aqueles manuais de autoajuda.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Manual de autodestruição (57)

A ansiedade devora-me. É um bocado dramático, mas é assim que me sinto. Às vezes  estou bem, mas ela chega e toma conta de mim. Até penso que me vai dar alguma coisa.

A tua cabeça convenceu-se de que o perigo espreita. É um facto: atropelamentos, AVC's etc.
O que não espreita está já contigo e mais próximo: o trabalho, o trânsito, a falta de dinheiro, as zangas familiares, a solidão. Quando tiveres coragem de enfrentar  estas coisas, comes o  perigo ao pequeno-almoço.




segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Manual de autodestruição ( 56)

À medida que envelheço, o tempo passa mais depressa. É insuportável. O que fazer?

Nos depósitos de seres idosos, o tempo passa muito devagar. Dizem-me eles que contam os dias para visita semanal  dos filhos. 
Se ainda não estás para isso, pensa no tempo que te falta como uma graça.  Vai frequentar uma sessão de quimioterapia.  Encontra um condenado e faz a tua queixa. Depois diz-me o que te responderam.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Manual de autodestruição (55)

Não consigo entender que uma mulher se dedique a ser acompanhante de luxo. É uma hipocrisia, um eufemismo  asqueroso.

Pois  acho que é uma magnífica profissão. Há uns anos, uma dessas profissionais recorreu aos meus  modestos serviços.  Sem clichés: discretíssima, suave, altamente  cultivada. Fazia o que gostava, ganhava cerca de  seis  mil euros /mês limpos ( o que o Ronaldo faz em duas horas) e escolhia os clientes.
Não há eufemismo nem hipocrisia: as coisas são o que são. Um bom serviço, o retorno merecido. Sem promessas nem ilusões. Precisou de ajuda porque  se apaixonou, o que colocou em causa a profissão. Bem vistas as coisas, podia ser psicóloga.