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terça-feira, 16 de julho de 2013

O segredo do amor

Não precisar do outro.
 Por estranho que pareça,  em mais de vinte  anos de consulta, as pessoas que conheci que mais felizes foram não precisavam do outro. Talvez não tão estranho. Seja uma relação de semanas  seja a de uma vida, o amor, a mistura certa de sexo, companhia, confiança e riso, é tanto melhor quanto mais independente. De tudo.
Se o outro está lá para nos resolver abandonos anteriores, inseguranças várias,  neuras, políticas de controlo ( posse e ciúme), precisamos dele. Torna-se um artefacto, o amuleto sem o qual a vida não faz sentido,uma tenebrosa confissão de impotência.
Se, no entanto,  o outro faz parte do nosso  gosto pela vida, torna-se, ipso facto, parte  de nós. Em momento nenhum o desmentiremos, nunca diremos que a vida não faz sentido sem ele. Nenhuma parte da nossa vida se sobrepõe ao todo, não nos cabe decidir sobre o que tem existência própria.
É por isso que o amor é eterno.

19 comentários:

  1. Tem toda a razão, corroboro com 27 dos meus 42 anos de vida e cerca de 40 relacionamentos desde o ocasional (5 minutos) ao duradouro (11 anos).

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  2. Ah, pensava que no amor não havia regras... que maçada, mais uma actividade com manual de instruções.

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  3. Anónimo,
    Não é regra , é segredo.
    Estou certo de que cmpreendes a diferença.

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  4. E qd sentimos algum tipo de dependência, sabendo perfeitamente que sem ele nos desenrascaríamos bem de certeza. É ou não dependência na mesma?

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    1. Não sei: "algum tipo"...?é vago, mas julgo que entendo.
      Por acaso, o topoi cerebral é o mesmo para opiáceos e amor.
      Penso que assim estará num equilíbrio razoável...

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  5. Infelizmente não basta saber a receita para o prato sair bem confeccionado, mas ajuda bastante !

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  6. Infelizmente não basta saber a receita para o prato sair bem confeccionado, mas ajuda bastante !

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  7. Li e reli este post e não é que "É por isso que o amor é eterno." se torna, de facto, a afirmação mais interessante, pela demonstração efectiva de que não detemos dele nem uma ínfima parte?

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  8. Caro Filipe

    Aquilo que não convence nos seu post é que esse tipo de pessoas e esse tipo de relação ideal que descreve não existe. Você pergunta? E quem é você para contrariar o que eu digo? Eu conheço esas pessoas! Estive em contacto com elas. De facto isso não é verdade. Você conheceu uma parte delas, numa determinada fase da vida delas. Um conhecimento profundo nunca tem. Na psicologia há muita conjetura e um pouco de poesia à mistura.

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  9. Quem falou em conhecimento profundo , meu caro?
    Psicologia? Eu é mais bolos...

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  10. o remédio é simples, o DC não vai a casa de ninguém.

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  11. Com todo o respeito, como posso eu amar alguém sem precisar dessa pessoa?
    Se não preciso dela, para quê nos casarmos então?!
    Para quê nos relacionarmos?!
    Então seríamos amigos para sempre e sempre nos amaríamos, afinal não precisamos um do outro...
    Eu amo-a porque me faz feliz, porque me completa, porque adoro a sua companhia, os seus beijos, os seus abraços, o seu apoio e conforto emocional, o seu perfume. Então isso não é precisar?! Não é amar, porque preciso de ouvi-la dizer-me bom dia todas as manhãs?!
    Penso que o segredo do amor que fala neste texto, se refere mais, ao amor universal que sentimos em relação a quem nos rodeia, seja família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, etc e não tanto ao amor entre dois seres que se apaixonam e decidem ficar juntos.
    Existem muitas formas de amor e o amor entre um casal, não é de todo igual ao amor universal, é sim um amor apaixonado, de entrega e confiança total em alguém desconhecido, que passa a fazer parte de nós e que muitas vezes dá sentido à nossa vida e existência...
    Jamais se confunda amor universal, com amor a dois.
    Porque sinceramente eu sou uma pessoa feliz e de bem com a vida, mas, acho que preciso dela, nem que seja para me sentir ainda mais feliz e completo.
    Ela não preenche nenhum vazio em mim, apenas dá mais sentido a tudo o que faço, porque não o faço só para mim, mas para os dois.

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    1. Sem respeitinho, que isto é um espçao de liberdade.
      Compreendo, mas isto é para ser lido com um grão de sal.
      Uma provocação: um filho também é alvo de tudo isso, mas sbrevive-se á perda dele , não é?

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  12. Da mesma forma que se sobrevive à perda de um cônjuge/familiar que se ama muito!
    Uma coisa é perder um filho/cônjuge/familiar/etc, por iniciativa da própria pessoa, porque decide deixar-nos de falar, ou deixa de nos amar, ou decide simplesmente partir sem bilhete de volta.
    Outra coisa é essa pessoa partir sem vontade e iniciativa própria, mas sim por uma vontade do destino, ou Deus, ou o que lhe quisermos chamar.
    Dói muito mais uma perda por rejeição, iniciativa e vontade do outro, do que uma perda por obra do destino, algo que não pudemos controlar, nem sequer podemos interferir e argumentar que tentaremos ser melhor de futuro. Porque a morte não nos deixa outra opção senão aceitar a partida, enquanto que uma partida por rejeição, nos deixa a sensação de frustração e fracasso, com a sensação de que podíamos ter feito mais, melhor, ou diferente e custa mais aceitar o facto da rejeição.
    Porque quem morre, não nos deixa por opção, mas por uma razão de força maior e nunca nos deixou de amar, não sei se me fiz entender.

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  13. Porque é que para algumas pessoas, é tão fácil amar e tão dificil deixarem-se amar?

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