email para contactos:
depressaocolectiva@gmail.com

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Decisões, indecisões...

"Prefiro  que todas as igrejas  de Espanha sejam incendiadas a que um só republicano seja incomodado". Manuel Azaña, nas vésperas da guerra civil espanhola, não era um exemplo de indecisão? Falar é fácil.
O processo de decisão é das coisas mais reveladoras do estado emocional  do sujeito. Não tanto da personalidade porque a mesma pessoa pode apresentar em pouco tempo modos diferentes de decidir.Tratemos da indecisão.
Há meia dúzia de anos, uma mulher, trintona  e jeitosa, entrou-me no gabinete a esconder  o que queria contar.  Vivia enterrada numa aldeia beirã, era casada com um desleixado e tinha um café. O cliché foi inevitável. Tomou-se de amores por um vendedor que a tirava daquele buraco e  a aproximava do mundo das novelas e das revistas. O problema é que o problema arrastou-se no tempo e ela não conseguia decidir : acabar com tudo ou contar ao marido? A primeira significaria ficar sem a luz da sua vida miserável, a segunda o reconhecimento de que não tinha força para enfrentar o marido, a família e  aldeia. Um dia chega e diz-me que o marido morreu. 
A mulher nunca chegou a decidir, mas nem assim descansou. As decisões têm um lado de troféu, são o produto de um trabalho  em que nos envolvemos. A indecisão prolongada  revela, da minha experiência, um desconforto do sujeito: não com o resultado da opção mas com ele próprio.

13 comentários:

  1. Também partilho dessa ideia.

    Até porque à partida a indecisão deve-se à existência de no mínimo dois caminhos.

    E a indecisão trás quase sempre colada a insegurança...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. sim, Luís, dois caminhos no mínimo, porque há sempre o terceiro: ficar quiete...

      Eliminar
  2. Como sabe conheço de perto todo este processo de indecisão / decisão.
    É difícil mas chega um dia em que temos que tomar uma decisão e avançar, deixar de vez o estado adormecido "de não viver a vida".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro que sei, P., tens razão; e és uma tenaz lutadora.

      Eliminar
  3. É a 1ª. vez que participo numa coisa destas. Estou, neste caso a combater a indecisão. Sobre isto muito há a dizer. Pode ser fruto de deformação no que respeita a educação, desemprego, doenças ou simplesmente falta de autonomia. Após bem orientada, bem informada, cabeça no lugar, pode tardar a decidir mas após tudo isto é definitivo. Sei que nem toda a gente é assim, eu propria tinha deficiencias nesse sentido, mas penso que estou no bom caminho de combater as indecisões e não ter medo das decisões, ás vezes bem drásticas, tudo fruto de um bom orientador persistente , que teve o cuidado de me abrir caminho e saber ver mais além arriscando.
    Não sou grande comentadora, mas na minha simplicidade aqui ficou o que penso

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito bem vinda. Vê não é assim tão dificil, pois não?

      Eliminar
  4. À indecisão não será alheia a falta de informação, quanto menor a segunda maior é a primeira, o problema aumenta quando a decisão a ser tomada é um tiro no escuro, aí a tendência para ficar onde há luz (não fazer nada) aumenta. Autoproteção, será ?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa dúvida, mas o problema da informação é que não chega. Por ex, no plano amorosoo

      Eliminar
  5. "Gente boa" estes "republicanos". Andamos a levar com eles há duzentos anos. Cá no burgo arrastam-se subterrados em troféus.

    ResponderEliminar
  6. Agora a sério: o mais das vezes o meio da ponte é chão que ferve, como telhado de zinco quente.
    Abraço tipo Eliseu aos papéis.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como o tolo, pois é...
      abraço tipo skandederbeubeu

      Eliminar
  7. Filipe,

    Gostaria que me ajudasse a entender algo que vou tentar transmitir.
    Não é facil, Porque, ao que parece tenho tendencia para misturar as coisas. Deve ser fruto da desorganização da informação que vou adquirindo e depois quero cruzar e sai baralhada.

    Tem haver com o que se esta a passar no mundo e penso que tem a ver com a Depressão Colectiva .

    a) Como é possivel haver gente que a uma certa altura da vida, mudam radicalmente a maneira de pensar e agir;

    b) Como é possivel que gente com formação superior, inteligente deixam-se, a certa altura da vida, manipular suas mentes, fazendo-lhes autenticas lavagens ao cerebro , fazendo-as acreditar no impossivel e praticar actos ignobeis, violentos e inaceitaveis, como foi no caso do ataque ás torres gemeas, o antrax  e outras vias suicidas. 

    c) Como é possivel jovens arabes ou europeus de repente tomam a decisão de "irem passar ferias" á Siria e mais tarde servirem de bombas humanas. Uma coisa é é matar, outra é fazer-se explodir e matar centenas de seres humanos. Só posso conceber que estejam sob o efeito de drogas, completamente fora de si para praticarem tais actos.

    d) Comparo o treino destes loucos jihadistas com os gangues. Iniciação é idêntica, cheia de violência, recrutamento em pequenos e seres desprotegidos, cheia de violencia. Só que os jihadistas depois mandam-nos para a europa, tal como na guerra fria (como que agentes adormecidos) e de repente .... a total loucura.~
    e) Como é feita a lavagem de cerebro? repetição de barbaridades sob pressão, cançaso extremo (penso que não estou muito longe)
    Em pessoas ignorantes, sem acesso a informação ainda entendo, agora pessoas instruidas acreditarem nas "virgens no além) no caso dos homens, nas mulheres ainda não entendi o que as espera.....
    f) claro que estamos a sofrer as consequencias das nossas proprias asneiras. Somos nós (europa) que os armamos, formamos, a net ensina tudo, os media ajudam a espalhar o odio (vi dois jihadistas a gozarem e dizerem para os europeus continuarem a mandar armas que eles tratam de nos matar).
    A minha pergunta persiste "qual o gozo de se fazerem detonar, que loucura é esta?"
    Uma coisa é o suicidio num momento de desespero e isolado, outra coisa é matar multidões com eles no meio planeado ao pormenor. O que ganham? tem os paises completamente destruidos, só lhes resta o petroleo....

    ResponderEliminar
  8. mui boa( s) questões, vou ver se consigo responder com tempo, Licínia, mas para já noto isto: a morte é uma categoria cultural, não tem o mesmo valor em culturas diferentes e até em subculturas diferentes.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.