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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ordem unida e ordem natural

Direita, falhar, marche. Como se digere o fracasso? Há uma ordem unida psicológica?
Preocupo-me mais quando são personalidades bipolares ou quando existe uma fraqueza associada: um problema de saude, uma perda recente etc. Isto porque vejo o fracasso como uma falange que nos sitia. A guerra é inevitável, a logística essencial.
Quando falhamos,  perdemos meios  e territórios. A primeira tarefa é incluir o fracasso na ordem natural das coisas. A segunda é recuperar o moral. Há gente que não consegue a primeira ( não aceita), há gente que não sabe fazer a segunda.
Aceitar o fracasso não significa aceitar  o que fizemos para fracassar. Significa aceitar que,  tudo considerado - as nossas acções, as dos outros, o ambiente-, o resultado não podia ser outro. A inteligência não serve só para tirar boas notas ou defender teses académicas. Acima de tudo, a inteligência é uma ferramenta para compreender.
Recuperar é recuar. Entender que, como estamos  e decidimos, não somos suficientemente fortes. Recuar para o porto que conhecemos bem ( Séneca) , restaurar o cordame e os instrumentos de  navegação. Visitar amores, comer, beber e dormir. Sonhar.
Se somos  depressivos, o fracasso é visto como natural. Se somos bipolares, o fracasso é inaceitável (na fase maníaca), se não temos amor-próprio ( os psis dão-lhe o nome de auto-confiança), ficamos cheios de pena de nós.

10 comentários:

  1. "Cair é como voar, mas mais fácil."

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  2. "A inteligência não serve só para tirar boas notas ou defender teses académicas. Acima de tudo, a inteligência é uma ferramenta para compreender.
    Recuperar é recuar."


    Ouais, ouais, ouais :)
    O fracasso é uma construção tão ténue quanto o sucesso.

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  3. Talvez tudo derive do facto de sermos congénitamente inseguros quanto ao nossso próprio valor e aquilo que os outros pensam de nós determinar o que pensamos de nós próprios. Um sucesso aumenta o nosso estatuto mas o fracasso rebaixa-nos aos olhos dos nossos pares.Porque que é que um multimilionario continua a fazer dinheiro muito para além do que jamais poderá gastar ? Porque necessita da acolade que o sucesso traz.

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  4. Passei meses eufórico, postando vertiginosamente, segundo aquela criatividade publicitária preconizada por Pedro Bidarra e que não tem medo de uma «corajosa, criativa e irreverente comunicação comercial; criativos com talento e, sobretudo, sem vergonha. A vergonha é uma condição psicológica que é amiga da sociedade mas inimiga da criatividade. Para fazer diferente é preciso não ter medo da desonra, da desgraça ou da condenação. É preciso não ter vergonha.» http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO289172.html?page=0

    Hoje roço o depressivo bipolar e a falta de amor-próprio: descreio em mim, não tenho recursos, amigos, dinheiro, futuro.

    Amanhã será melhor. Sentir-me-ei melhor, caso não morra.

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  5. Obrigado pelo teu sentido de humor, Filipão. Acho que mesmo eu o tenho a transbordar e ele me parece o absoluto salva-vidas nesta vida. Bendita a infecção do humor.

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  6. Olá,

    recentemente fui até França para trabalhar na montanha num hotel por dois meses e meio a fazer limpeza. Tinha contracto e direito a alojamento o que era óptimo. Ao fim de cinco dias despediram-me. A minha chefe tinha 25 anos e todos os colegas eram jovens. Corriam que nem setas e eu com 55 anos ficava para tráz. Senti-me abaixo de cão, julgava ter sido a primeira mulher de limpeza portuguesa despedida em França. Voltei a Portugal. Encontrei um trabalho aos fins-de-semana, faço trabalho voluntário e estou a estudar novamente. Ando numa correria distribuída ao longo do dia mas uma correria. Afinal eu sou capaz de correr só que sou uma corredora de fundo, já não corro os cem metros. A depressão ainda espreita mas há sempre uma tarefa para terminar, um livro para ler, uma peça de teatro que ainda não vi. De vez em quando volto às fotografias que tirei na montanha e sinto vontade de voltar àquele sítio lindo. Quem sabe um dia. Maria

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    Respostas
    1. "julgava ter sido a primeira mulher de limpeza portuguesa despedida em França".
      tenho de aproveitar isto.

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