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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Colonização


O Melo Antunes tem uma frase de chupeta: Não há descolonizações perfeitas pela boa e simples razão de que não colonizações boas. Nas  mentais ocorre o mesmo.
Chamo colonização mental ao processo através do qual um adulto toma conta de outro. Pode ser  um pai de um filho, uma mulher de um marido  e por aí fora. O essencial é que o colonizador despoja o colonizado da  capacidade de decisão e da independência  de movimentos. Said distinguia a colonização do imperialismo pelo eixo da presença: o colonizador nunca integra, só utiliza. E aqui a cauda abana o cão.
Na maior parte dos casos a colonização mental assenta na clásica superioridade de meios. O pai que prolonga na vida adulta do filho o magistério de autoridade, vantagem financeira e tradição. O filho chega a adulto subjugado  à condição de prótese narcísica do progenitor.
Mais enevoada é  a colonização amorosa. Uma mulher  pode perceber que dispõe daquilo que o homem não consegue obter sem ela. A partir daí, a vida dele é uma  ilusão de autonomia batida numa sólida dependência que o afasta  das suas raízes ( o house nigger).

6 comentários:

  1. "E aqui a cauda abana o cão."

    Uma expressão a reter e não me parece que seja do Eduardo :)

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  2. talvez. somos um nadinha diferentes.

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  3. já reli o texto umas quantas vezes. e faz todo sentido, mas persite uma ideia (não sei se da influência fonética, se do canídeo): desparasitação mental.

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    Respostas
    1. nah... que ideia a sua. só uns efeitos secundários manhosos.

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  4. Vampirismo e "vulturização", bons sinónimos para a colonização paternal e amorosa que refere, ilustrando com os exemplos.

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