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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Poejos


Gasset viaja ( Las ermitas, 1904) até às  Ermidas de Córdoba. Em cima de  um monte, el  Desierto, as várias ermidas, brancas, cada uma com o  seu jardim. Gasset diz que lugares assim   transportam-nos à mansa região das ideias gerais.  Pois bem, nestes dias de chuva-luz, a cozinha da casa é uma ermida.
A cozinha é antidepressiva. É impossível antecipar, escolher, executar, alegrar, cheirar, lamber, provar e...deprimir. É como bom sexo, coisa, bem se sabe, antidepressiva. Sugiro o poejo. Os meus foram oferta de  um amigo, que tem uma herdade a meias com o Vitorino, lá para as bandas do Redondo ou da Ossa ( não percebi bem).
Dois pedaços de peito de borrego-baby, meia chouriça de Quiaios, sal do mar, cebolos novos, alho encamisado, azeite, colorau, um trago de branco do Redondo. Refastelemos. Grão de bico, feijão verde  segado miúdo, abóbora-menina e uma batatita  esquecida aos cubos. Água da torneira D.O.P. Respiremos. Poejos e oregãos  ( também do Vitorino, fabulosos, muito diferentes dos algarvios). Tapar. Esperar. Ler Gasset, outro mundo, outras histórias.
Pode chover lá fora, só vemos sereias.

7 comentários:

  1. Alguma vez te aconteceu um paciente como antidepressivo? (a pergunta não surge à toa; nos anos do meu part-time no psiquiatra, embora ele não o tenha dito expressamente - e, por confiar em mim, falava-me de muitos dos casos quando alguém faltava e havia um tempo para conversar - nem eu sequer lho tenha perguntado, achei que sim).

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    1. não é muito fácil, ma snos acompanhamentos ( pontuais) há gente que me põe bem disposto, sim, sobretudo não-citadinos.

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  2. eu também queria esse poejo alucinogéneo. na ausência bebo mais um copo. o tempo está ameno e cá fora vejo uma estranha libertação. cheers aos dois ;-)

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  3. E onde arranjar poejos à maneira aqui em Coimbra ou arredores?..

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    1. boa pergunta. mão amiga semeou os que me trouxeram.
      Dantes o Corte inglés tinha, caríssimos mas o problema maior era estarem quase sempre podres

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